quarta-feira, 4 de abril de 2012

Programação abril 2012



http://youtu.be/CNuQVS7q7-A
ARNALDO JABOR
O filme Pina é um spa mental
Fui ver o filme de Wim Wenders sobre a vida e obra de Pina Bausch e saí do cinema deslumbrado. Estava mesmo precisando de um pouco de beleza, sufocado pela feiúra da calamidade urbana de São Paulo e envenenado pela vida política do País, que balança entre vícios ideológicos paralisantes e a corrupção institucional. Com a crise entre governo e aliados, a política virou uma gincana de obstáculos que impedem o Executivo de governar. Além disso, vivemos longe da beleza, intoxicados pelo furacão de irrelevâncias pop que matam a contemplação muda da arte. E Pina é grande arte. Fui ao cinema em busca de um spa mental. Depois de uns trailers repulsivos de violência para crianças começou o filme do Wim. Eu andava meio de saco cheio do alemão desde Asas do desejo, com aquele papo de que os anjos só eram vistos pelas criancinhas. Mas, esse filme é o máximo. Há muito tempo não via algo tão emocionante. Wim parece haver seguido as lições da própria Pina na delicadeza de um teatro dançado. Sua linguagem sem palavras diz mais do que conceitos claros.

Jean-Luc Godard disse uma vez que o balé clássico aspira à imobilidade, a uma pose final que atinja um momento sublime. Pina nunca buscou o tal sublime, mas só se interessava pela vida concreta (sem realismo, claro), com seus vícios, inibições, medos que impedem encontros definitivos e harmônicos. Seu tema é o desejo humano que resiste mesmo debaixo do mal-estar de nossa civilização.

Estive com Pina Bausch por alguns minutos, em sua ultima apresentação em São Paulo. Fiquei tímido e tiete e mal conseguia lhe dizer algumas frases decentes. Só me ocorriam banalidades sobre seu trabalho, coisas como awsome ou cool, equivalentes a bem legal ou irado enquanto ela me olhava fumando, pálida, pouco antes de sua morte.

Em seu filme, Wim Wenders criou uma mise-en-scène original tirando bailados do palco e os encenando nas ruas de Wuppertal. E melhor ideia ainda foi fazer o filme em 3D, o que nos revelou uma coreografia em camadas quase cubistas exibindo closes e planos abertos simultaneamente. É lindo ver toda essa riqueza de ângulos para um tipo de coreografia feita sobre os sentimentos mais comuns de nosso cotidiano: a angústia de viver sem sentido, a confusão de papéis sexuais, a fome de amor, o riso misturado a lágrimas. Bob Wilson disse uma vez: “A importância da obra de Pina será uma das poucas lembranças da arte do século 20”. Fellini, outro gênio, chamou Pina para seu filme E la nave va e assim falou da grande artista: “O que Pina conta no palco é um teatro dançado que liberta todas as inibições, é festa, jogo, sonho... Mas, é um conforto que se esvai aos poucos, porque o que a gente quer é que toda essa harmonia, toda essa leveza não acabe nunca e que a vida seja assim”.

Pina Bausch fez uma arte que podemos chamar até de terapêutica. Dentro de um mundo à beira do trágico irracionalismo que vemos nascer nos impasses políticos internacionais, Pina nos faz esquecer o mundo lá fora, sem nos alienar, redesenhando nossa crise absurda pela luz mágica da poesia. E não é apenas o êxtase de uma sinfonia ou de um grande filme, a arte de Pina nos deixa ver a máquina leve que organiza a composição estética, o segredo do processo criativo. Ela não nos emociona apenas, ela nos ensina. Aquela coisa do “beleza é verdade e verdade é beleza” se realiza diante de nossos olhos.

Pina é imensa, porque é das poucas pessoas que conseguiram descrever nosso tempo com angústia e compaixão. Isso: uma rara mistura de melancolia com esperança.

Já vimos na arte do século 20, desde o pós-guerra, o sentimento do absurdo, o horror, a desesperança crítica. Os mendigos de Beckett vagueavam em desertos sem saída. O estrangeiro, de Camuse pedia que saudassem sua morte com vivas de ódio. Hoje na literatura restou um anarquismo sem rumo, detritos masoquistas de uma desesperança superficial, Kafkas pop, sub-Joyces despejando um automatismo narrativo porra-louca e superficial.

Pina Bausch, que era filha da guerra fria, não estava nessa. Ela sempre deixou um fio de felicidade passar por entre seus bailarinos solitários, desunidos, mal-ajambrados nas tristes roupas comuns, pobres ternos, pobres vestidinhos, desamparados transeuntes do nada para o nada. Pina criou um minimalismo afetivo, sem a frieza rancorosa de tantos artistas engajados, sem a negra alegria de saudar a morte, de festejar a impossibilidade, o juízo final. Pina exalta a vida mesmo por meio de uma triste beleza, uma paz dark diante desse tempo que a indústria cultural está deformando com sua feira de ofertas. Pina via com amor nossos clichês e aprofundava-os, mostrando-nos a estranheza escondida sob a familiaridade, como um Brecht lírico da primeira fase (Baal, Na selva das cidades). Ela captava o imperceptível. Seus atores/bailarinos/ personagens são quase sempre carentes, sozinhos, tentando alguma forma de encontro. Ver seus espetáculos era uma aula de grande arte e por entre os corpos bailando percebíamos as influências mais límpidas da arte contemporânea. Vemos Fellini, claro, vemos Chaplin, vemos na cenografia o minimalismo mais espontâneo, sem exibição vanguardista, vemos Mondrian, vemos os irmão Marx repetindo as mesmas routines de chanchadas, vemos Beckett curado de sua depressão doentia, vemos um painel amplo do melhor da criação do século 20, tudo interpretado pela espantosa capacidade técnica de seus bailarinos esfarrapados.

Pina humanizava nossos defeitos e nosso ridículo. Seus atores/personagens oscilavam entre desejo e repressão, entre liberdade e medo. É isso aí. Ao sair do cinema, eu estava oxigenado, purificado, pronto para mais uma temporada no inferno da estupidez nacional.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Programação de Fevereiro de 2012


No próximo sábado, dia 25 de fevereiro, às 14h, o Cineclube Dissenso exibe A Cara que Mereces (Portugal, 2004), de Miguel Gomes. Primeiro longa-metragem do realizador, um dos importantes nomes do novo cinema português (famoso entre nós por Aquele Querido Mês de Agosto) o filme propõe uma revisitação ao universo da infância, marcado por diversos elementos comumente associados, tais como os contos de fadas, as canções de ninar, as fantasias, os jogos e os pactos, as lendas e os monstros. Ele elabora uma forma para essa necessidade que por vezes nos assola: a necessidade de sair de cena quando constatamos que algo deu errado, a fim de melhor nos recompormos. A frase que dá nome ao filme é exemplar: "Até os trinta anos tens a cara que Deus te deu, depois disso tens a cara que mereces".
A sessão será realizada na Sala João Cardoso Aires.



Estamos FECHADO até quarta-feira, 8 de fevereiro (projetor digital em manutenção).
Retornaremos nesta quinta-feira, 9 de fevereiro, com o filme A GUERRA ESTÁ DECLARADA de Vallerie Donzelli. Aguardem horários.
Lamentamos o contratempo e estamos trabalhando para voltarmos ao funcionamento incluíndo a projeção digital.
Equipe do cinema
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Entrevista com Linduarte Noronha no "È tudo Verdade":
Linduarte Noronha conta (em 2008) a Amir Labaki como pensou e realizou ARUANDA e O CAJUEIRO NORDESTINO
 http://www.youtube.com/watch?v=EvAxq10TB50


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Programação janeiro 2012


Projeto

Tela

Teatro

exibe

produções

e

lança DVD



30 de Janeiro - segunda-feira – 19:30h
- Exibição do capítulo final da minissérie Stufana em formato de radionovela.
- Lançamento DVD Coleção Teatro Volume 2.
 Local: Cinema da Fundação (FUNDAJ - Derby) - Entrada franca, com ingressos disponíveis a partir das 18h. Não será permitida a entrada após o início da sessão.

31 de Janeiro - terça-feira - 20:00h
- Apresentação da peça teatral Os que Vivem Dentro de Nós
Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro) - Entrada franca, com ingressos disponíveis a partir das 19h. Não será permitida a entrada após o início da sessão.

Endereços:
Cinema da Fundação: Rua Henrique Dias, 609 – Derby, Recife – PE | CEP: 52.010-100
Informações: (81) 3073-6689 |cinema@fundaj.gov.br

Teatro Marcos Camarotti (SESC Santo Amaro): Rua Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – Recife – PE
Informações: (81) 3216.1728/ 1719


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

2012

Após a EXPECTATIVA / retrospectiva, o Cinema da Fundação entra em tradicional recesso de Natal, retornando 6 de janeiro de 2012, com estréia de AS CANÇÕES de Eduardo Coutinho.
 
Feliz Natal e Ano Novo!
Cinema da Fundação

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

EXPECTATIVA 2012 | retrospectiva 2011

AVISO

Por questões técnicas não poderemos exibir o filme L’APOLLONIDE – OS AMORES DA CASA DE TOLERÂNCIA durante a Retrospectiva/Expectativa.

A sessão deste filme na quinta-feira, 15 de dezembro, às 18h30 – será do filme
O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO. 2ª. exibição


A sessão de sábado, 17 de dezembro, às 21h
O GAROTO DA BICICLETA
(Le Gamin au Vélo), dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. (França, Bélgica, Itália), 2011. vencedor do Grande Prêmio do Juri do Festival de Cannes 2011, O Garoto da Bicicleta traz a história de Cyril, um garoto de 12 anos capaz de tudo para encontrar seu pai. Para isso, ele conta com a ajuda de Samantha, uma mulher cabeleireira e aceita que Cyril fique com ela nos fins de semana. No entanto, a rejeição sofrida pelo abandono do pai, torna o garoto raivoso e com dificuldades para aceitar o amor e o carinho que pessoas como Samantha lhe dão.
Imovision / em HD /  87 mins. / 10 anos  

Atenciosamente,
A coordenação do Cinema da Fundação


Veja programação completa no http://www.fundaj.gov.br/
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=1474&textCode=16902&date=currentDate


Pelo 14ª ano, o Cinema da Fundação oferece o melhor final de ano para quem ama cinema. Na nova edição da mostra EXPECTATIVA/retrospectiva, que acontece diariamente de 2 a 17 de dezembro serão projetados 30 longas-metragens, dos quais 19 são inéditos no Recife e/ou Brasil, e 11 deles em caráter de reprise, dando a oportunidade ao espectador de rever na mais dedicada sala de cinema da cidade uma boa projeção com alguns grandes títulos de 2011.

Das 47 sessões projetadas em 16 dias corridos, cinco delas são seguidas por debate com seus realizadores. Uma destas sessões terá o mineiro Sérgio Borges, que vem ao Recife especificamente para participar da EXPECTATIVA/retrospectiva com “O Céu Sobre os Ombros” (melhor filme no Festival de Brasília 2010). Presente também estará Hanna Godoy com “Explosão Brega”, Marcelo Brennand com “Porta a Porta: A Política em Dois Tempos”, e ainda a tradicional sessão com os curtas pernambucanos da nova safra.

Teremos também uma sessão especial, com entrada franca, de videoclipes da banda R.E.M. Numa tela grande serão vistos os mais expressivos exemplares do videoclipe criado pela banda, rodados em super8mm, vídeo analógico, 16mm, 35mm.  Também com entrada franca, acontece o lançamento do documentário sobre Hermilo Borba Filho (1917 - 1976). Dirigido e roteirizado pela jornalista, dramaturga e realizadora Carla Denise.

Para cada sessão de curtas-metragens pernambucanos, os ingressos têm preço único R$ 1,00. As demais sessões têm o preço habitual (R$ 8 e R$ 4). A compra de ingressos antecipados só será feita para o dia seguinte.

Após a EXPECTATIVA/retrospectiva, o Cinema da Fundação entra em tradicional recesso de Natal, retornando 06 de janeiro de 2012. Boa sessão.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Programação novembro 2011


Fotos de Victor Jucá no http://www.flickr.com/photos/janeladecinema/

Vinheta #4: MONTAGEM Janela/Retrospectiva KUBRICK from Cinemascópio Produções on Vimeo.

IV Janela Internacional de Cinema do Recife

Festival exibe 160 filmes e enfoca a própria cidade do Recife

Um panorama da produção atual de filmes de curta metragem feitos no Brasil e no mundo, longas brasileiros e estrangeiros da última safra, uma retrospectiva inédita no País do cineasta Stanley Kubrick, mostras e programas especiais, estréias nacionais, aulas de cinema, o estímulo ao debate não só em torno do cinema, mas sobre o espaço urbano do Recife através dos filmes feitos aqui. A quarta edição do Janela Internacional de Cinema do Recife acontece de 4 a 13 de novembro e trará cerca de 60 convidados brasileiros e estrangeiros à cidade. O filme de abertura será o muito aguardado Febre do Rato, de Cláudio Assis.
A missão do Janela continua sendo a de facilitar as relações entre o cinema feito e pensado em Pernambuco e o cinema do Brasil e do mundo. O festival é realizado em meio à temporada em que mais dois longas pernambucanos estão sendo rodados na cidade, Tatuagem, de Hilton Lacerda, e Boa Sorte, Meu Amor, de Daniel Aragão, que também são frutos de um boom de produção visto nos últimos anos, por meio de incentivos locais.
Depois das primeiras três edições apoiadas pelo Edital do Audiovisual - Funcultura, da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco -, esse ano o Janela conta também com o patrocínio da Petrobras e da Chesf, via edital da Eletrobras, e co-patrocínio da Toyolex.
Pelo segundo ano, os cerca de 160 filmes exibidos em digital e 35mm irão ocupar o Cine São Luiz, no centro da cidade, e o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby. O São Luiz será equipado com um projetor digital Christie de 33 mil ansilumens, o mesmo usado no Festival de Cannes.

www.janeladecinema.com.br